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Prática Pedagógica

Por Jonas Klébio Landim Santana

Bem, vamos falar aqui, um pouquinho sobre a pratica pedagógica, onde todo cuidado é pouco.
Mas porque todo cuidado é pouco?
Porque o sucesso ou fracasso de uma escola está relacionado diretamente com a forma como os professores tratam seus alunos e também na forma como esses alunos enxergam sua escola. Os professores, os gestores, os alunos e suas famílias são partes integrante e fundamental para uma escola se destacar em meio as outras. Existem maneiras relativamente simples para se chegar lá, é preciso que todas as pessoas envolvidas no processo pedagógico trabalhem juntas e em favor dos alunos, além de valorizar sempre o tempo disponível para realizar atividades pedagógicas diversas, para facilitar a compreensão, citarei agora alguns passos fundamentais para a organização da escola e da sala de aula.

· Organizando a sala de aula:

Primeiramente é fundamental que a escola disponha de muitos materiais pedagógicos, que devem estar sempre ao alcance dos professores e alunos.

Apresentaremos abaixo, três passos fundamentais para a organização da sala de aula:

1. A rotina da escola deve ser usada em proveito dos alunos e do professor.
È fundamental que se esclareça, para os alunos, qual vai ser a rotina diária dos trabalhos. Essa informação ajuda a orientar os alunos, torna-os mais autônomos e, melhor ainda, libera o professor para ajudar aqueles que estão precisando de ajuda.

2. É importante estabelecer as regras do jogo.
Estabelecer regras de conduta para a classe, deixando claro que as regras acordadas podem ser sempre mudadas, caso deixem de ser consensuais.

3. A sala de aula precisa ser um lugar bonito e organizado.
A sala de aula precisa estar sempre limpa e organizada, pois um ambiente feio e mal cuidado causa desprazer que repercute na aprendizagem. O arranjo da sala deve mudar em função da tarefa a ser realizada.


· Dinâmica da sala de aula

Antigamente, os professores tinham a idéia de que os alunos seriam fáceis de serem moldadas a partir do exterior, isso não existe mais. Um bom professor sabe que seus alunos selecionam determinados aspectos do meio físico e social, os assimilam e processam, conferindo-lhe significados. Ou seja, as crianças não são mais vistas como aquelas que podiam ser moldadas a partir do comportamento do professor e metodologia de ensino adotada, hoje entende-se que os própios alunos possuem, conhecimentos, capacidades e habilidades prévias e cabe ao professor saber lidar com essas capacidades utilizando-as a favor da construção da aprendizagem, mantendo-se uma constante interação entre os professores e colegas.

Outro passo importante é o professor estar sempre mantendo ajuda aos alunos, que deve ser proporcional a dificuldade de cada um.

· Desafios da interação

Na interação com os alunos o professor deve sempre seguir um roteiro como esses:

· Estabelecer, no começo do ano escolar, a rotina diária e as regras de conduta a serem seguidas por todos.

· Conhecer bem os alunos: suas competências, seus conhecimentos e habilidades, bem como suas referências socioculturais e seus interesses.

· Prepara bem a aula, articulando o que os alunos conhecem e os conteúdos que precisam ser aprendidos, imprimindo fluidez e ritmo nas lições.

· Introduzir um conteúdo novo fazendo perguntas, problematizando situações, verificando quais são as hipóteses dos alunos sobre o assunto.

· Empregar tarefas diversificadas, compatíveis com o nível de dificuldade dos alunos e adequadas às suas necessidades.

· Oferecer material de consulta variado e relevante.

· Criar condições para os alunos sistematizarem os conteúdos aprendidos, usando estratégias de fixação e, em especial, de aplicação dos novos conceitos.

· Incentivar o pensamento independente.

· Encorajar a autonomia do aluno.

· Abrir possibilidades efetivas de obtenção de ajuda para todos.

· Avaliar sistematicamente a aprendizagem.

· Propiciar ocasiões para recuperação e reforço da aprendizagem.

· Retomar os conteúdos aprendidos antes de introduzir novos.

· O papel da linguagem

A linguagem articulada ao pensamento permite que significados sejam dados ao mundo a nossa volta.
Ou seja, através da interação social conseguimos articular a linguagem ao pensamento, pois dessa forma é que significados são dados ao mundo em nossa volta e isso nos propicia o crescimento intelectual.

· Trabalho diversificado

É interessante juntar em uma mesma sala alunos com maiores rendimentos e outros com menor rendimento, pois assim um pode estimular o outro e ajudar nas dificuldades. Para isso é preciso que o professor tempere a aula, tenha um bom manejo de classe e, em especial, saiba usar estratégias variadas, para que todos recebam a atenção necessária por parte do docente.

Atendimento individualizado
Trabalho em grupos
Trabalho com o conjunto da classe

· Representações mútuas de professores e alunos

É comum ver professores que investem mais e dão mais atenção e credibilidade a alunos bonitos, bem arrumados e cheirosos; naqueles que demonstram maior motivação, responsabilidade e participação; nos que evidenciam aprender com facilidade; nos que vão para a escola com o material pedido.

É preciso que o professor saiba a importância de ter expectativas positivas a cerca de seus alunos, as expectativas que ele cria para seus alunos podem se tornar realidade.
Contando histórias em sala de aula

Por Shirlei Torres

Há muitos e muitos anos que a contação de histórias habita o mundo das escolas, mas muitos professores ainda não descobriram o quanto as histórias podem ajudá-los em sua missão de educadores. Muitos utilizam as histórias, quando utilizam, apenas para acalmar os alunos e não vêem as várias possibilidades de uma boa história.
Podemos dizer que o principal objetivo de contar uma história em sala de aula é DIVERTIR, estimulando a imaginação dos alunos. Mas juntamente com este clima de alegria e interesse que a história desperta pode a história atingir outros objetivos, como: educar, instruir, desenvolver a inteligência, ser o ponto de partida para ensinar algum conteúdo programático ou mesmo ser um dos instrumentos para tentar entender o que se passa com os alunos no campo pessoal, pois, muitas vezes, durante a história eles falam do que os está incomodado sem vergonha ou medo, já que se vêem dentro da mesma.
Uma história bem contada pode ajudar o aluno a interessar-se pela aula. Permite, em geral, a auto-identificação, favorecendo a aceitação de situações desagradáveis e ajudando a resolver conflitos. Agrada a todos sem fazer distinção de idade, de classe social, de circunstância de vida.
Quando o professor decide contar uma história é necessário que a escolha com muito cuidado e carinho, pois ela deve ser adequada à faixa etária, ao interesse dos ouvintes, aos objetivos do próprio professor. A escolha da história funciona como uma chave mágica e tem importância decisiva no processo narrativo.
Geralmente, os professores acham que é necessário um talento especial para contar histórias, mas não é. Todo professor tem dentro de si um contador de histórias, apenas precisa encontrá-lo e aprimorá-lo. Para que isto aconteça pode-se levar em consideração, segundo Malba Tahan, algumas características que um bom contador de histórias deve ter:

1ª - Sentir, ou melhor, viver a história; ter a expressão viva, ardente, sugestiva.
A história deve despertar a sensibilidade de quem a conta, sem emoção, não terá sucesso.

2ª - Narrar com naturalidade, sem afetação.
O vocabulário utilizado deve ser adequado ao público ouvinte. Na oralidade é preciso ser mais claro e objetivo, sendo necessário, às vezes, completar as idéias da história.

3ª - Conhecer com absoluta confiança o enredo.
O contador tem que estar seguro sobre o que vai contar, do contrário é melhor não contar.

4ª - Dominar o interesse do público.
Sempre buscar maneiras de fazer com que os ouvintes permaneçam concentrados na história.

5ª - Contar dramaticamente.
O contador pode se passar por algum dos personagens ou por todos.

6ª - Falar com voz adequada, clara e agradável.
Não convém falar em falsete ou impostando a voz, a não ser que seja em momentos específicos para caracterizar um personagem.

7ª - Ser comedido nos gestos.
Se exagerar em gestos sem objetivos, quando fizer um que seja necessário para melhor entender a história, não será notado.

8ª - Ter espírito inventivo e original.
Contar as histórias com suas próprias palavras – contar o que está velho de forma nova. Se a história for de livro deve ser adaptada, pois a linguagem escrita é diferente da oral.

9ª - Ter estudado a história.
Não é necessário decorar, mas sim testar diversas possibilidades de exploração oral para contar com espontaneidade.

Não se apavore com esta lista que Malba Tahan traz, são apenas dicas que funcionam. Assim como estas, deve haver muitas outras para colocar em prática seu lado contador de histórias. Como foi dito antes, todo professor tem um contador dentro de si próprio e pode vir a encontrá-lo através de tentativas práticas e não teóricas, por isso a chave para descobrir é tentando.
Na utilização da contação de histórias em sala de aula todos saem ganhando, seja o aluno, que será instigado a imaginar e criar, seja o professor, que terá uma aula muito mais agradável e produtiva.



Como contar histórias?

Principles of Story Telling, Barry McWilliams
Traduzido e publicado com autorização do autor.


· Passe segurança! Não se desculpe ao começar, nem em palavras nem com uma expressão corporal encurvada.

· Conte em suas próprias palavras. Deixe a imaginação funcionar - isto é o que cria mágica e não malabarismos da memória.

· Se der branco, continue. Não faça caretas, chingue nem desculpe-se. Continue descrevendo detalhes de cores, locais.. isto estimula a imaginação e ajuda a memória. Ou então faça uma pausa, olhando todos nos olhos, como para levantar suspense (não olhe para o chão). Improvise!

· Mantenha as histórias até 10 minutos de extensão. Ensaie e cronometre.

· A introdução é crucial. Você vai ganhar ou perder nos 3 primeiros minutos dependendo de como você começa.Você tem que criar sua audiência no grupo de crianças, cada uma com seus próprios pensamentos e focos de atenção, antes que você possa começar a contar uma história para elas. Deve haver, na introdução, o indício de que coisas excitantes irão acontecer, incitando a curiosidade, unindo as crianças em antecipação. Não dê tudo na introdução. Sempre mantenha um certo nível de mistério, antecipação e surpresa durante toda a história.

· Nós adultos tendemos a subestimar a capacidade das crianças de imaginar e fantasiar, e assim, muitas vezes fazemos muitos esforços para esplicar ou justificar o cenário, ou explicar tudo com detalhes. Na verdade, o que atrai as crianças é a possibilidade de entender os aspectos implausíveis da história depois; o que é ótimo, você tem a atenção delas e elas ficarão pensando no que você disse.

· Para contar histórias você precisa de um pouco de habilidade em vendas, sinceridade (não tente fingir alegria, tristeza, etc.. seja verdadeiro!), entusiasmo (não significa ser barulhento ou articificial), animação (em gestos, voz, expressão facial) e mais importante, ser você mesmo.

· Nós queremos que a mensagem chege clara e bem definida. Nosso objetivo é comunicar as verdades da Bíblia de uma maneira pessoal e com uma aplicação clara. Seja qual for a maneira que você conte a história, tenha certeza de ser objetivo! Não assuma que as crianças vão entender. Torne a história o mais real possível. Não conte a história de uma maneira cansada ou mal resumida. Pule dentro da narrativa, com a mesma intensidade que os fatos... escolha UM ponto e conte-o como se fosse a notícia mais interessante do mundo.

· Mantenha simples e direto.

· Uma vez terminada a história, não fique divagando e corrigindo. Deixe os pensamentos das crianças presos no ponto da história, na mensagem central.

· Quanto mais você praticar, melhores ficarão as suas técnicas. Teste diferentes métodos, seja criativo. Você sempre aprende com suas experiências. Não seja extremamente tímido ou preocupado "com o que os outros irão dizer se...". Não tenha medo de ser um palhaço ou fazer papel de bobo para Cristo e para as crianças. Humildade, amor e oração são elementos importantes para contar histórias, juntamente com criatividade e inovação. As crianças pegam muito mais do que a história de você; elas percebem o seu entusiasmo pessoal com a mensagem. Elas precisam ver que você foi tocado pela Palavra. Prepare o seu coração enquanto prepara a história.

· Tenha certeza de colocar algum drama, suspense na história. Deve haver uma situação que dirija ao climax e ao final da história. O conflito pode ser introduzido imediatamente ou aos poucos para aumentar o suspense e a intriga. Tente levar os ouvintes a se preocupar junto com os personagens e se envolver com o que acontece.

· O professor deve estudar a lição muito bem. Você precisa saber muita coisa para poder ensinar um poquinho.

· Crianças aprendem com seus sentidos. Elas adoram sentir, cheirar, tocar, escutar e ver. Descreva personagens e locais vividamente, ajudando-os a solidarizar-se com os personagens.

· Numa audiência mista, tente colocar a história ao nível do mais novo.
Características de uma boa história:Tema único e bem definido; Enredo bem desenvolvido; Estilo: imagens vívidas, sons e ritmo agradáveis; Caracterização; Coerente com a fonte; Apelo dramático; Apropriado e adequado aos ouvintes.
ADAPTAÇÃO ESCOLAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL

SANTANA, Jonas Klébio Landim*
Universidade Regional do Cariri



RESUMO

Este trabalho aborda temas de elevada importância no processo de socialização da criança, levanta questões básicas no contexto da convivência e adaptação na escola e da interação inicial entre professores e alunos, tem como objetivo principal, discutir e esclarecer os problemas enfrentados pelas crianças no contexto do convívio social, tendo em vista as dificuldades apresentadas por elas nesse período e a importante participação dos pais e professores nesta etapa evolutiva do processo do desenvolvimento infantil.

Palavras-chave: adaptação, interação, escola, criança, professores, socialização.


ABSTRACT

This paper discusses issues of high importance in the process of socialization of the child, raises basic questions in the context of coexistence and adaptation in school and the initial interaction between teachers and students, has as its main objective, discuss and explain the problems faced by children in the context of social coexistence in view the difficulties faced by some children in that period and the important participation of parents and teachers in this evolutionary stage of the process of child development.

Keywords: adjustment, interaction, school, children, teachers, socialization.


01. INTRODUÇÂO

Desde o nascimento até a fase adulta a criança passa por diversas experiências de desprendimento e separação, exemplos dessas diversas experiências são: quando ela é separada do útero da mãe no nascimento e também no momento de separação do seio materno. De todas essas etapas, uma separação de relevada importância para o desenvolvimento social da criança, é quando ela atinge a idade escolar e precisa freqüentar a escola. Os primeiros dias de aula estão quase sempre acompanhados de certa insegurança tanto dos pais quanto da criança, esse processo de separação apesar de necessário pode ser doloroso para ambos. Ao se depararem com um ambiente completamente novo e afastado de seus tutores, muitas crianças respondem com o choro, alguns pais reagem com sentimentalismo e interferem no processo de adaptação, provocando um atraso e dificuldade na socialização da criança. Esse sentimentalismo dos pais corresponde erro nos métodos de educação, muitas vezes eles erram em não permitir a independência de seu filho e acabam, sem querer, dificultando sua socialização. Fatos como esses podem repetir-se por toda à vida da criança tornando-se prejudicial para seu desenvolvimento.
Insegurança e medo em vivenciar um novo ambiente em que seus familiares não estarão presentes, constituem um forte aspecto de rejeição do espaço e das pessoas presentes na escola, à criança deve ser compreendida para posteriormente receber o tratamento adequado em casa e na escola.
Para enfrentar essa fase de adaptação, as crianças requerem um período de adaptação, que deve ser satisfatório para elas. Os professores e coordenadores da escola precisam elaborar estratégias que facilitem a convivência delas com o seu novo espaço, principalmente nos primeiros dias de aula, levando em consideração as dificuldades e problemas enfrentados por cada um.
O trabalho apresentado a seguir levanta questões baseados nesta problemática partindo do pressuposto de que é através do acompanhamento desta etapa do desenvolvimento e conseqüente superação desta fase que a criança passa a desenvolver confiança mútua pelos professores e colegas facilitando sua convivência social e o processo de ensino aprendizagem, o que evitará inúmeros problemas na alfabetização e desenvolvimento escolar.


02. DESPRENDIMENTO FAMILIAR

Nos primeiros anos de vida a criança desenvolve um vínculo afetivo construído dentro do ambiente familiar, isso porque são os seus pais que lhe transmitem confiança, segurança e conforto, durante esse período, ¨A partir de um ano, mais ou menos, encontra em sua mãe uma base de segurança para explorar o mundo circundante¨. (ZLOTOWICZ, 1976, p.44). Elas se sentem inseguras sempre que ficam distante dos pais, isso ocorre principalmente com crianças que passam muito tempo convivendo unicamente com eles, ao se separar ou ausentar-se temporariamente desse ambiente afetivo a criança estranha e passa a rejeitar. O medo da separação é um fenômeno comum em crianças pequenas, porém, em alguns casos esse medo excessivo pode causar uma ansiedade patológica, denominada; transtorno de ansiedade de separação, que pode apresentar conseqüências, como: tornar a criança incapaz de permanecer no quarto sozinha, andar sempre em companhia dos pais, manifestar fobia escolar e causar sofrimento com a possibilidade de ficar sozinha. Diante de um problema como esse, os pais devem procurar a ajuda de um psicólogo, pois muitas vezes por não compreender os motivos reais do medo de seu filho eles acabam tomando atitudes inadequadas como tentar forçar a criança fazer algo que lhe provoque medo tentando com isso forçar a criança superar o medo. Agindo assim os pais podem transformando um simples medo, numa fobia ou trauma psicológico.
O referencial curricular nacional para a educação infantil, do Ministério de Educação e do Desporto enfatiza a relação de afeto criada entre a criança e a pessoa que cuida dela.
Entre o bebê e as pessoas que cuidam, interagem e brincam com ele se estabelece uma forte relação afetiva (a qual envolve sentimentos complexos e contraditórios como amor, carinho, encantamento, raiva, culpa etc.). Essas pessoas não apenas cuidam da criança, mas também medeiam seus contatos com o mundo, atuando com ela, organizando e interpretando para ela esse mundo. (MEC/SEF , 1998, p. 17)

A família é o primeiro instrumento de mediação entre a casa e a escola, são os país quem levam os filhos para escola e são eles que devem passar a confiança necessária à boa relação de convivência com as outras crianças. Antes de colocá-las na escola os pais devem conversar com seus filhos a fim de transmitir-lhes segurança e mostrar os benefícios e vantagens que o ambiente escolar oferece. Para isso é essencial que antes de matricular a criança na escola os pais procurem informações sobre as atividades desenvolvidas, metodologia de ensino, professores e outros meios que sejam satisfatórios a adequação da criança. É importante também que os pais levem seu filho para conhecer a escola antes de iniciar as aulas, para mostrar a eles as novidades, como: o parquinho, a sala de aula e os locais da escola que ele irá freqüentar, além de conversar muito sobre as coisas boas que ela irá fazer na escola. É importante também mostrar a farda a lancheira e os materiais escolares que ele irá usar. No primeiro volume do referencial curricular nacional para a educação infantil, encontramos uma passagem que aborda algumas reações negativas que podem ocorrer durante a fase de adaptação na escola.
Algumas crianças podem apresentar comportamentos diferentes daqueles que normalmente revelam em seu ambiente familiar, como alterações de apetite; retorno às fases anteriores do desenvolvimento (voltar a urinar ou evacuar na roupa, por exemplo). Podem, também, adoecer, isolar-se dos demais e criar dependência de um brinquedo, da chupeta ou de um paninho. (MEC/SEF, 1998, p.80).

Na entrevista de matricula os pais devem aproveitar para conhecer os professores, o tipo de atendimento e educação oferecida, além de apresentar a criança ao professor, contando sobre seus hábitos, para que ele estabeleça um primeiro contato com a família. É necessário também colocar a criança na escola em faixa etária adequada, pois o atraso poderá acarretar problemas na socialização e dificuldades de acompanhamento, segundo o artigo nº 29 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional a educação infantil atende crianças até seis anos de idade, durante essa fase da vida a criança começa a desenvolver seus aspectos psícomotores e sociais.
Educação infantil, primeira etapa da educação básica tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança até seis anos de idade, em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade. (LDB, 1996, art.29)

O estado tem o dever de oferecer educação gratuita a todos e a família tem obrigação de inserir seus filhos na escola é o que diz a o artigo nº 205 cap. III da Constituição Federal.

A educação, direito de todos e dever do Estado e da família será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. (CONSTITUIÇÃO, 1988, art. 205, p. 134)

Escolher o horário adequado também constitui quesito importante em sua adaptação, deve-se analisar o horário que melhor se adeque a suas necessidades. É comum ocorrer certo nervosismo e ansiedade dos pais no período que antecede o inicio das aulas isso ocorre geralmente devido a insegurança da separação, do medo em deixá-los na companhia de pessoas desconhecidos e algumas vezes sentem-se ameaçados em perder o amor dos filhos ou terem que dividi-lo com os outros. Em outros casos ocorre descuido ou falta de conhecimento dos pais no que diz respeito à educação dos filhos, o apego excessivo e medo de conceder independência levam os pais a cometer um grave erro no processo de educação dos filhos, crianças criadas dessa forma desenvolvem medo em socializar-se, adquirindo assim problemas que podem prolongar-se por toda a vida.


03. INTERAÇÃO COM OS PROFESSORES.

Os professores são os mediadores da convivência entre as crianças e da interação com o ambiente escolar. É importante que ele esteja preparado para receber a criança de forma a estabelecer uma relação afetiva de confiança, amizade e cooperação, são eles quem exercerão na escola o papel que os país exercem em casa.
Os primeiros dias de aula geralmente são muito cansativos, tanto para os professores quanto para as crianças, e isso requer muita segurança e auto controle, principalmente para superar a fase do choro, pois quando uma criança chora as outras se sentem inseguras e também começam a chorar, nesse momento os pais devem confiar na capacidade e conhecimento que os professores possuem para lidar com a situação e também deve entender o choro do seu filho como algo natural para sua adaptação e que com o tempo tende a diminuir até desaparecer. Nos primeiros dias de aula ao lhe dar com essa situação os professores devem direcionar uma atenção especial àquelas crianças que possuem mais dificuldades de adaptação, pegando-a no colo e sugerindo alguma atividade interessante, a fim de evitar conseqüências de interação, segundo Michael Zlotowicz, autor do livro: Os medos infantis, após os momentos de choro e gritos a criança pode manifestar momentos de isolação e afastamento das outras crianças.
Num primeiro tempo, a criança não é senão protesto veemente, gritos, choros, e reivindicações. Em seguida, ao fim de algumas horas ou de alguns dias, segundo a idade da criança e as circunstancias que precederam a separação, surge uma segunda fase, a que Bowlby e seus colaboradores chamaram desespero, em que a criança se mostra retraída, inativa e evita contato com os outros. (ZLOTOWICZ, 1976, p. 42).

Na citação abaixo a professora Millie Almy, Columbia University, New York, destaca a importância do professor na compreensão da criança e assistência prestada a elas nos momentos de aflição e angustia.
O professor pode também conhecer os tipos de expressão que são própios para revelar os sinais de aflição e angustia. Quando estes sinais são notados pelo professor, e principalmente quando forme evidentes os sinais de preocupação na criança no contacto diário, o professor deve estar atento ás possibilidades que ele possa ter de prestar um auxílio além daquilo que ela possa fazer em classe por estas crianças. (ALMY, 1964, p.175).

Para elaborar a recepção da criança os professores devem planejar, juntamente com o coordenador e os pais, uma ação pedagógica a ser aplicada, é importante que ele utilize brinquedos que possa chamar sua atenção no momento de sua acolhida, a utilização de recursos como brincadeiras e livros amplamente ilustrados contribuem para chamar a atenção e diminuir a tensão emocional. Os professores possuem a incrível missão de controlar e transmitir confiança às crianças. Para lidar com uma situação como esta é necessário que ele esteja emocionalmente preparado e goste do que está fazendo, na procura de entender os pequeninos é interessante utilizar-se de estratégias específicas, é o que diz o professor do Instituto Teológico Pio XI, Padre Dr. Carlos Leôncio, ¨Já escreveu alguém que para educar crianças, é preciso de certo modo tornar-se criança¨. (LEÔNCIO, 1940, p. 32). Ao adquirir confiança e afeto da criança o educador desenvolve sua auto estima, tornando-a mais criativa e hábil. Esse vínculo estabelecido em sala permite ao professor desenvolver sua missão com mais eficácia, facilitando assim o aprendizado.


04. O AMBIENTE ESCOLAR

Ao ver a escola pela primeira vez a criança se surpreende e isso pode causar-lhe uma boa ou má impressão do ambiente, e consequentemente das pessoas que estão lá, por esse motivo a instituição de educação infantil deve estar sempre organizada e preparada para despertar na criança o encantamento, através da observação e vivencia do mundo lúdico, onde o faz de conta pode transformar-se em realidade para elas.
As paredes devem estar sempre pintadas com cores leves e a mobília deve ser colorida e adaptada à altura da criança, para permitir uma maior autonomia e independência, além de possuir muitas figuras e pinturas. As salas de aula precisam estar sempre equipadas com brinquedos jogos e livros de estórias, variedade de brinquedos adequados também são necessários para estimular as crianças é o que diz o Referencial Curricular Nacional para educação infantil. ¨É importante planejar a inclusão de brinquedos para diferentes fai¬xas etárias, brinquedos que estimulem diferentes usos e atividades¨ (MEC/SEB , 2006, p. 27). O Referencial Curricular Nacional ainda destaca também a importância de um parquinho na instituição de educação infantil.

A valorização dos espaços de recreação e vivência vai incrementar a interação das crianças, a partir do desenvolvimento de jogos, brincadeiras e atividades coletivas, além de propiciar uma leitura do mundo com base no conhecimento do meio ambiente imediato. O próprio reconhecimento da criança de seu corpo (suas propor¬ções, possibilidades e movimento) poderá ser refinado pela rela¬ção com o mundo exterior. (MEC/SEB, 2006, p. 26-27)

Com um ambiente preparado, o processo de adaptação escolar torna-se mais rápido e fácil, o professor consegue desempenhar melhor sua tarefa enquanto a criança se sente mais segura e assim desenvolve melhor sua capacidade de socialização.


05. CONSIDERAÇÔES FINAIS

Pretendeu-se nesse trabalho abordar temas polêmicos da educação infantil, que servirão como base de estudo das questões referentes ao desenvolvimento social da criança, no período de adaptação na escola. A pesquisa foi realizada mediante consultas a diversas fontes bibliográficas e observações in lócus do dia-a-dia das crianças e professores da educação infantil.
O papel da família, dos professores e da comunidade na preparação da criança para o início da vida escolar recebeu atenção importante no desenvolvimento do trabalho. Problemas enfrentados pelos pais no momento da separação e o papel do professor na mediação dessa fase, também foram destaque na pesquisa realizada.
Dessa forma, esse trabalho apresenta uma breve discussão do tema referente à adaptação escolar na educação infantil e poderá ser utilizado como referencial base para o leitor que apresenta interesse no assunto.
Sugerimos que o referido trabalho também seja utilizado como base de apoio aos professores da educação infantil, famílias que possuem crianças em idade escolar ou ainda pessoas interessadas no assunto, pois contém informações importantes para quem enfrentam situações como as apresentadas no texto acima ou que sentem dificuldades para lhe dar com a questão da adaptação escolar na educação infantil.


REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS


ALMY, Millie. CUNNINGHAM. Ruth. Como estudar a criança: um manual apara o professor. 1 ed. USAID, Rio de Janeiro. 1964. 268 p.


BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Referencial curricular nacional para educação infantil. Brasília: MEC/SEF, 1998, ev.:il.


BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Parâmetros básicos de infra-estrutura para instituições de educação infantil. Brasília : MEC,SEB, 2006.45 p. : il.


BRASIL. Constituição da Republica Federativa do Brasil: promulgado em 5 de outubro de 1988, com as alterações adotadas pelas Emendas Constitucionais nº 1/92 a 52/2006 e pelas Emendas Constitucionais de Revisão nº 1 a 6/94.- Brasília: Senado Federal, Subsecretaria de Edições Técnicas, 2006. 448 p.


BRASIL. Lei de diretrizes e bases da educação nacional. Lei n° 9.394 Brasília, 20 de dezembro de 1996.


RUTH, Rocha. Mini dicionário. São Paulo, Scipione, 1996, 1 v.


SAVALLI, Elaine; ROCHA, Marcia; Discutindo a Adaptação Escolar: Um caso a ser vivenciado. Revista Nova, Rio Grande do Norte, v. 2, p. 1-7, disponível em: http://mail.falnatal.com.br:8080/revista_nova/a3_v2/artigo_0.pdf . Acesso em: 01 abril 2008.


.ZLOTOWICZ, Michel. Os medos infantis. Presses Universitaires de France, 1 ed., Paris, 1974, 182 p.



*Jonas Klébio Landim Santana é cadêmico do curso de pedagogia da Universidade Regional do Cariri, Secretário do Instituto Monsenhor Pedro Rocha e Coordenador Pedagógico de educação infantil.